Um crítico literário francês de Stanford construiu sua carreira explicando por que irmãos se matam.
Um de seus alunos foi Peter Thiel.
A teoria de Girard se tornou um dos fundamentos de como Thiel pensa sobre competição, startups e monopólio.
O DESEJO É EMPRESTADO
Os seres humanos não sabem realmente o que querem.
Então, aprendemos o que querer observando outras pessoas quererem primeiro.
Girard chama isso de desejo mimético: desejo por imitação.
Você quer a coisa porque alguém no seu campo age como se ela tivesse valor. Então, seu desejo é emprestado e, inconscientemente, você esquece que o pegou emprestado.

Por exemplo:
- a carreira que você admira e as duas pessoas cujas carreiras você realmente imaginou
- as empresas que você se sente atraído a copiar
- as métricas no seu deck, que mudaram depois que um fundo que você respeita mudou as deles
- a Regra dos 40, que estava em um post de blog de 2015 até que fundos de crescimento a escreveram em seus memorandos e a transformaram em um padrão de triagem.
Esta é a primeira mudança mental que Thiel faz.
Fundadores falham por quererem as coisas erradas por razões que deixam de examinar.
A ESTRUTURA OCULTA POR TRÁS DOS MERCADOS
Girard explica o desejo como um triângulo.
Há você, o objeto e o modelo.
O modelo é a pessoa ou grupo que te ensina o que vale a pena querer, e o objeto permanece inerte até que o modelo o toque.

QUANDO A IMITAÇÃO SE TRANSFORMA EM RIVALIDADE
A imitação se torna destrutiva quando o objeto é escasso e o modelo está próximo.
Quando muitas pessoas querem o mesmo emprego, o mesmo investidor, o mesmo cliente, o mesmo reconhecimento, o modelo deixa de ser um exemplo e se torna um obstáculo.
QUANDO A IMITAÇÃO SE TRANSFORMA EM RIVALIDADE
A imitação se torna destrutiva quando o objeto é escasso e o modelo está próximo.
Girard divide a imitação em dois tipos, mediação externa e interna.
A mediação externa é a imitação de um modelo fora de alcance. Você pode construir seu fundo com base nas cartas de Buffett por uma década, já que Buffett nunca concorrerá contra você. A distância mantém a imitação limpa, porque vocês dois nunca buscarão a mesma coisa ao mesmo tempo.
A mediação interna é a imitação de um modelo dentro do seu alcance. O sócio dois andares acima capta recursos no seu ciclo e faz uma oferta pelo seu alvo, então, em um ano, a admiração se transformou em uma briga por um único ativo. Girard chama o modelo nessa posição de obstáculo: ele se coloca entre você e a coisa que te ensinou a querer.
A rivalidade então se alimenta de si mesma. Quanto mais você espelha seu rival, mais semelhante você se torna, e a semelhança aumenta ainda mais a temperatura. Dostoiévski leva essa lógica para dentro da família, onde a distância social entrou em colapso total, e é por isso que as piores rixas acontecem entre irmãos e co-fundadores.
Em algum momento, o objeto desaparece e manter-se no mesmo nível da outra pessoa se torna o objetivo.
COMPETIÇÃO COMO ARMADILHA PSICOLÓGICA
É daí que vem a famosa frase de Thiel: competição é para perdedores.
Ele está dizendo que a competição é mimética. Fundadores que perseguem o mesmo mercado, captam recursos dos mesmos fundos, contratam das mesmas escolas e otimizam para as mesmas métricas pararam de criar valor e começaram a se monitorar mutuamente.
O QUE THIEL REALMENTE QUER DIZER COM MONOPÓLIO
Um monopólio no sentido de Thiel é uma posição onde a comparação para de funcionar.
- um único vendedor da coisa específica
- substitutos distantes o suficiente para serem ignorados
- dez vezes melhor que a segunda opção, já que pequenas melhorias convidam à comparação e a comparação convida à rivalidade
Na linguagem de Girard, o monopólio quebra o triângulo. O modelo desaparece, o objeto compartilhado desaparece com ele.
Então, Thiel exige que um produto seja pelo menos dez vezes melhor que a alternativa mais próxima.
Duas ou três vezes melhor mantém o comprador comparando você ao concorrente estabelecido, e a comparação mantém você copiando o roteiro dele. Dez vezes melhor encerra a comparação, e a rivalidade termina com ela.

POR QUE OS MONOPÓLIOS FINGEM COMPETIR
Monopólios reais se escondem. Eles se descrevem como pequenos players dentro de mercados enormemente competitivos e deixam a palavra dominante para seus críticos.

Girard mostra como a rivalidade mimética em escalada pode levar uma comunidade a restaurar a ordem concentrando sua frustração em um único alvo. O bode expiatório absorve tensões que antes estavam dispersas pelo grupo. Empresas dominantes são candidatas naturais para esse papel: seu tamanho atrai regulação, crítica moral e escrutínio da mídia. Como resultado, os monopólios têm um incentivo para se apresentar como concorrentes comuns, em vez de players dominantes.
Empresas fracas fazem o oposto. Elas definem seu mercado de forma suficientemente restrita para parecerem únicas, enquanto empresas dominantes o definem de forma ampla o suficiente para parecerem pequenas. A empresa fraca diz que não tem concorrentes reais; o monopólio insiste que tem muitos.
O VERDADEIRO INIMIGO DO FUNDADOR
Más decisões geralmente começam com uma comparação que você fez sem perceber.
- alguém levantou uma rodada maior
- alguém entregou mais rápido
- alguém conseguiu a cobertura
A resposta de Thiel é disciplina, em quatro regras:
- Escreva seus objetivos e coloque um nome ao lado de cada um. Um objetivo com um nome anexado é emprestado.
- Veja o quão próximo esse nome está. Copiar Buffett não te custa nada. Copiar o fundo da rua de baixo te coloca no mesmo leilão em um ano.
- Conte as horas que você gasta observando um concorrente. Essas horas são perdidas do seu próprio trabalho.
- Construa para ser dez vezes melhor, ou deixe o mercado em paz.
Comece com a lista de nomes, já que o resto do trabalho depende de saber de quem você emprestou o desejo.





