A Anthropic assinou um acordo de US$ 10 bilhões com uma empresa que existia há apenas sete meses.
Na mesma semana, investidores avaliaram a Volta em US$ 2,4 bilhões.

Fonte: TradedVC
Esse arquétipo é tão antigo quanto a própria história: o intermediário que não possui nada e controla tudo.
- Aristotle Onassis assinou contratos de afretamento de longo prazo com as grandes petrolíferas antes de encomendar os navios e, em seguida, ofereceu esses contratos como garantia para o financiamento da construção.
- Marc Rich fundou a Marc Rich + Co em Zug em 1974 e precificava o acesso, não o produto. Ele intermediava entre vendedores com alcance de mercado limitado e compradores com acesso limitado à oferta, ganhando o spread por assumir o risco de contraparte.
O que a Volta desenvolve
A Volta desenvolve powered shells. Um powered shell é um edifício com fornecimento de energia de 50 a 150 megawatts já instalado. Um operador de colocation, como Bitdeer, Vantage, Equinix ou NTT, instala os racks, o resfriamento e a rede, assina o contrato com o cliente e mantém o site online. A obrigação de entrega da Volta se encerra no ponto de fornecimento de energia elétrica e na conclusão do envelope do edifício.

Fonte: Site Oficial da Volta
Cada site passa por cinco etapas antes da entrega:
- Seleção do terreno ao longo de corredores com capacidade de rede disponível
- Aquisição do terreno acompanhada de um contrato de conexão com o operador de transmissão
- Aprovação regulatória para o edifício e a conexão à rede
- Capital institucional estruturado sobre o terreno
- Entrega a um parceiro operador
A segunda etapa define a economia do projeto. Um desenvolvedor que se inscreve em uma fila de conexão aberta espera de cinco a sete anos pela mesma autorização que a Volta obtém em doze a dezoito meses, por começar em uma subestação com capacidade já disponível.
A quarta etapa depende do suprimento de energia do site, e a Volta contrata quatro fontes para uma única carga:
- Uma conexão à rede de alta tensão
- Capacidade solar própria
- Capacidade eólica própria
- Contratos de compra de energia (PPAs) com geradores de terceiros
Quatro contratos cobrem uma única carga, então um atraso em qualquer um deles ainda mantém o site abastecido.
Na Noruega, funciona ao contrário
Em Tydal, os papéis se invertem. A Bitdeer é dona do campus, e a Volta assinou um contrato de colocation de dezesseis anos com valor-base relatado em cerca de US$ 4,7 bilhões. Segundo relatos, bancos estruturaram cerca de US$ 1,3 bilhão em cartas de crédito standby para respaldar as obrigações de pagamento da Volta à Bitdeer. A Volta instala os sistemas Vera Rubin e vende a capacidade pronta ao cliente. O edifício permanece com o proprietário, e o contrato com o cliente permanece com a Volta.
O Manual
- Comece pelo acesso à rede. Operadores de transmissão publicam dados sobre capacidade disponível e filas de conexão. Identifique subestações com pelo menos 50 megawatts de capacidade disponível e, em seguida, procure terrenos industriais com zoneamento adequado em um raio de três quilômetros. Grande parte desse trabalho pode ser feito por meio de registros públicos.
- Garanta o terreno sem comprá-lo de imediato. Uma opção de compra registrada normalmente custa de 1% a 3% do preço acordado por ano e mantém o terreno reservado por três a cinco anos. Depois de assinada a opção, protocole o pedido de conexão à rede. Em mercados congestionados, um novo projeto espera de cinco a sete anos por uma conexão. Um terreno perto de uma subestação com capacidade ociosa recebe aprovação em doze a dezoito meses.
- Obtenha as licenças e garanta um cliente. Um compromisso de seis anos de uma contraparte financeiramente sólida sustenta a dívida de construção e transforma um terreno licenciado em um ativo financiável.
- Alinhe o terreno ao hardware. Tydal foi projetado para fornecer cerca de 133 megawatts de capacidade bruta com energia hidrelétrica norueguesa, com sistemas Vera Rubin previstos em duas fases até março de 2027. O hardware exige refrigeração líquida, e o clima norueguês ajuda a manter a eficiência no uso de energia (PUE) perto de 1,1.
- Escolha o ponto de saída certo. Terreno, acesso à rede e o shell do edifício custam entre US$ 4 milhões e US$ 8 milhões por megawatt; portanto, um projeto de 100 megawatts exige entre US$ 400 milhões e US$ 800 milhões antes da chegada do hardware de computação. Um terreno licenciado com capacidade de rede garantida é vendido antes da construção com retorno maior. Um data center concluído e alugado oferece retornos menores e é mais adequado para investidores de longo prazo.
- Escolha o mercado com cuidado. A Noruega atualmente oferece energia hidrelétrica abundante e distâncias de conexão relativamente curtas.
- Escolha um nível de entrada. Adquira uma empresa de projeto com posição inicial na fila. Garanta uma opção de compra de terreno e envie um pedido de conexão. Ou desenvolva um powered shell completo com um cliente âncora e financiamento comprometido.
- Foque nos ativos escassos. O projeto começa com o controle do terreno, um caminho viável para a capacidade de rede e um lugar inicial na fila de conexão. A Volta vende powered shells. Um powered shell é um edifício com fornecimento de energia de 50 a 150 megawatts já instalado. Um operador de colocation, como Bitdeer ou Equinix, instala os racks, o resfriamento e a rede, assina o contrato com o cliente e mantém o site online.





