A expansão da IA está sendo cada vez mais financiada por dívida, e o crédito privado vem desempenhando um papel muito maior do que há apenas um ano.
No segundo trimestre de 2026, Apollo e Blackstone lideraram um veículo de US$ 35 bilhões para comprar chips e alugá-los para a Anthropic. O UBS classificou a operação como o maior negócio de crédito privado já registrado. Para efeito de comparação, credores diretos concederam cerca de US$ 23 bilhões em empréstimos a empresas norte-americanas apoiadas por private equity naquele trimestre. Um único financiamento de IA foi maior do que todo o volume tradicional de empréstimos diretos com apoio de PE contabilizado pela PitchBook no mesmo período.
E os gastos que precisam de financiamento continuam crescendo. A S&P Global projeta que Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, Oracle e SpaceX (xAI) gastarão cerca de US$ 870 bilhões este ano e mais de US$ 1,3 trilhão em 2027, com dívidas, arrendamentos, novas ações e outras formas de financiamento ajudando a cobrir a diferença.

É aí que entra o crédito privado. Trata-se de empréstimos negociados diretamente entre tomadores e credores não bancários, um mercado que cresceu rapidamente após 2008, quando os bancos recuaram de parte do mercado de crédito corporativo. Os empréstimos diretos a tomadores nos EUA cresceram cerca de 25 vezes, passando de US$ 96 bilhões em 2010 para US$ 2,4 trilhões em 2025. No mesmo período, os empréstimos a empresas de software e tecnologia dos EUA aumentaram aproximadamente 45 vezes, de US$ 22 bilhões para mais de US$ 1 trilhão.

O crédito privado costuma ser mais caro do que os empréstimos bancários tradicionais ou sindicalizados, mas os tomadores pagam esse prêmio pela velocidade, certeza, confidencialidade e acesso a financiamentos que talvez não conseguissem em outro lugar.
Um ponto que chamou atenção na nossa pesquisa foi o quão pouco os credores parecem cobrar a mais pelo risco associado à IA. Em janeiro, o BIS constatou que os empréstimos privados a empresas ligadas à IA carregavam um spread médio de 6,2 pontos percentuais acima da taxa básica, contra 6,1 pontos nos demais empréstimos de crédito privado. Ao mesmo tempo, os mercados de ações refletem expectativas muito mais altas para o crescimento relacionado à IA. Segundo o BIS, essa pequena diferença na precificação dos empréstimos pode indicar que os credores estão subestimando os riscos ligados à IA, que os investidores em ações estão superestimando os lucros futuros, ou ambas as coisas.
O crédito privado está exposto não apenas às empresas que constroem IA, mas também às empresas de software que ela pode desestabilizar. Se a IA se disseminar rapidamente, poderá enfraquecer os atuais tomadores do setor de software ao roubar clientes e receita. Por outro lado, se a IA demorar mais para gerar retorno, os tomadores ligados a ela podem enfrentar quedas de receita justamente quando seus empréstimos vencerem.

A estrutura de alguns financiamentos de IA adiciona outra camada ao cenário. A CoreWeave tomou empréstimos por cinco anos usando como garantia contratos com clientes cuja duração média é de cerca de três anos, enquanto os títulos Hyperion da Meta vão até 2049, lastreados em arrendamentos renovados a cada quatro anos.
O mercado também já começa a diferenciar essas operações. A Apollo comprou a dívida que financiou chips alugados para a xAI por 99 centavos de dólar em dezembro de 2025 e, depois que a SpaceX adquiriu a xAI, o ativo chegou a ser negociado a 106. O Project Jupiter, um financiamento de US$ 18 bilhões para data centers de IA, foi posteriormente negociado entre 89 e 91 centavos, à medida que os investidores reavaliavam o crédito do projeto.
Por isso, em vez de perguntar se a IA em si é uma bolha, nossa equipe na Social Capital olhou além da superfície e levantou uma questão diferente. Será que o crédito privado, que financia uma parcela cada vez maior da expansão da IA, é uma bolha?
No nosso Deep Dive sobre Crédito Privado, exploramos essa questão fundamental. Veja o que você vai aprender lá dentro:
- Em outubro de 2025, o CEO do JPMorgan alertou: "Quando você vê uma barata, provavelmente há mais". Este estudo de caso acompanha uma cadeia de falências ligadas à dívida privada. Qual é a probabilidade de a história se repetir?
- Os seis fatores-chave que separam o ramo mais recente do crédito privado do modelo tradicional surgido após 2008, e como as hyperscalers aproveitam essa nova abordagem.
- Nosso mapa de refinanciamento mostra o que diferentes tipos de refinanciamento revelam sobre a força e o estresse dos tomadores.
- No início de 2026, grandes fundos de crédito privado pagaram mais em resgates do que captaram de novos investidores pela primeira vez. O que acontece se essa pressão continuar?
- Dois financiamentos de IA dependiam dos pagamentos dos locatários. Um ultrapassou o valor de face, enquanto o outro caiu para perto de 90 centavos. Por quê?
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