Leandro Domingues, que jogou pelo Kashiwa Reysol e outros clubes, foi uma estrela que ganhou o prêmio de MVP em 2011.
Seu irmão mais novo, Kleiton Domingues, que também foi jogador de futebol profissional, apareceu no programa de futebol brasileiro "Resenha do Leão 1899".
Em uma entrevista divulgada há cerca de um ano, ele falou sobre os últimos dias de seu irmão antes de seu falecimento, sua luta contra a doença e sua família.
O que foi revelado ali não foi apenas a imagem de "Leandro Domingues" o jogador de futebol, mas também a de um irmão, um filho e um pai de três filhos.
"Ele estava consciente até o dia em que faleceu"
Leandro Domingues passou seu tempo em casa até pouco antes de falecer.
Sua condição física já havia se deteriorado; havia dias em que ele conseguia comer e dias em que mal conseguia comer nada.
Poucos dias antes de morrer, sua condição piorou a ponto de vomitar durante toda a noite. Na manhã seguinte, Kleiton o levou ao hospital.
"Coloquei ele no banco de trás e fui para o hospital. Meu irmão estava consciente, mas não estava em boas condições."
Kleiton, que estava dirigindo, correu para o hospital sentindo-se ansioso de que a condição de seu irmão pudesse piorar ainda mais no caminho.
Embora tenha ficado temporariamente aliviado por ter chegado em segurança, foi difícil suprimir suficientemente o vômito e a dor, mesmo com medicação.
O médico já havia informado que não havia mais tratamentos disponíveis e que seriam cuidados paliativos para aliviar seu sofrimento.
No dia em que faleceu, Kleiton teve uma videochamada de cerca de 30 minutos com sua mãe, que estava cuidando dele no quarto do hospital.
Quando sua mãe apontou o smartphone para Leandro Domingues, ele conseguiu olhar para a câmera, mas já era difícil para ele ter uma conversa natural.
Seu corpo estava tão fraco que era difícil até mesmo mudar de posição na cama sozinho.
Superando um transplante: "Ele foi verdadeiramente um guerreiro"
A palavra que Kleiton repetiu várias vezes na entrevista para descrever seu irmão Leandro foi "guerreiro".
Leandro Domingues almejava se tornar um jogador de futebol profissional desde jovem e saiu de casa aos 11 anos. A vida naquela época não era nada privilegiada.
Kleiton recordou:
"Houve vezes em que bebíamos água só para nos sentirmos satisfeitos e ir dormir. Mesmo assim, ele não reclamava para a família. Era porque queríamos nos tornar jogadores de futebol."
A partir daí, Leandro entrou no mundo profissional e atuou não só no Brasil, mas também no Japão.
Mesmo depois de adoecer, essa atitude não mudou.
Durante sua luta contra a doença, ele também passou por uma cirurgia de transplante.
Naquela época, sua vida estava em perigo, mas ele superou e recebeu alta do hospital. Depois disso, trabalhou na reabilitação e, em um determinado momento, se recuperou a ponto de poder levar uma vida diária com certo nível de normalidade novamente.
Ao receber alta, o médico lhe disse, considerando que ele havia superado crises de risco de vida muitas vezes: "Você poderia comemorar seu aniversário três vezes."
Refletindo sobre a luta de seu irmão, Kleiton disse:
"Ele foi literalmente um guerreiro. Ele era assim na vida, e foi uma pessoa que lutou contra sua doença até o fim, até o limite."
A mãe que o apoiou desde sua época no Japão
A pessoa que apoiou a vida de Leandro Domingues durante sua doença, bem ao seu lado, foi sua mãe.
De acordo com Kleiton, a mãe deles era alguém que corria para o lado dos filhos, independentemente do local, se algo acontecesse com eles.
Isso não mudou nem mesmo durante a época em que Leandro jogava no Japão.
"Mesmo quando ele estava no Japão, se algo acontecesse, ela pegava um avião sozinha e ia para o Japão, mesmo sem falar o idioma."
Um dos filhos de Leandro Domingues, segundo consta, nasceu no Japão.
Para apoiar seu filho e sua família vivendo em um país estrangeiro, a mãe corria até eles, independentemente da distância, se algo acontecesse.
Ela continuou a cuidar de Leandro mesmo depois que ele adoeceu e passou vários dias no hospital durante sua cirurgia de transplante.
Enquanto sua esposa tinha que criar três filhos e levar uma vida diária, como buscá-los e deixá-los na escola, a mãe frequentemente apoiava Leandro ao seu lado.
Kleiton refletiu:
"Minha mãe estava literalmente agindo como uma enfermeira, sendo mãe."
Desde seus dias de jogador no Japão até sua luta contra a doença, sua mãe continuou a apoiar Leandro Domingues por muitos anos.
"Onde está o papai?"
A entrevista também abordou os três filhos de Leandro Domingues. Em particular, os dois mais novos tinham apenas 6 e 10 anos quando seu pai faleceu.
Depois de levar Leandro ao hospital e voltar para casa, sua filha de 6 anos perguntou a Kleiton:
"Onde está o papai?"
Quando ele explicou que o pai dela estava no hospital, ela perguntou:
"Por que você deixou o papai lá?"
Era difícil explicar a condição de seu pai como ela era para uma criança tão pequena.
Portanto, Kleiton explicou que o pai dela estava no hospital para melhorar usando medicamentos que são bons para o corpo.
No entanto, Leandro Domingues nunca mais voltou para casa depois disso.
Após o falecimento de Leandro, quando sua mãe, que estava cuidando dele no hospital, voltou para casa sozinha, as crianças perguntaram:
"Vovó, onde está o papai?"
A mãe não conseguiu responder nada, entrou em seu quarto e chorou sozinha.
Mais tarde, a esposa de Leandro disse às crianças que o pai delas não voltaria mais.
O filho que era o "parceiro" de seu pai
Kleiton também refletiu sobre o relacionamento entre as crianças e Leandro Domingues.
O filho, que tinha 10 anos na época, originalmente gostava de passar o tempo em casa, e quando Leandro estava se recuperando em casa, ele passava muito tempo ao lado do pai.
Mesmo quando a família saía, o filho ficava em casa e passava muito tempo ao lado do pai em recuperação.
Por causa disso, não foi fácil aceitar que seu pai não voltaria. Kleiton também falou sobre a dificuldade de explicar a separação do pai para crianças pequenas.
No funeral, a filha, que tinha 6 anos na época, também teve seu último encontro com o pai.
Depois de beijar a testa de Leandro, a filha, segundo consta, abraçou Kleiton com força.
Sobre aquele momento, Kleiton refletiu:
"Acho que aquele abraço era, na verdade, um que ela queria dar ao pai. Mas ela não pode mais fazer isso."
Mesmo para adultos, não é fácil aceitar a perda de um membro da família.
Kleiton disse que foi ainda mais difícil explicar para crianças pequenas que elas não poderiam mais ver o pai.
Cantando "Espírito Santo" no funeral
No final da entrevista, Kleiton refletiu sobre o funeral de Leandro Domingues.
Lá, ele falou sobre seu irmão não apenas como jogador de futebol, mas como ser humano e pai.
Cantando "Espírito Santo" no funeral
No final da entrevista, Kleiton também refletiu sobre o funeral de Leandro.
No funeral, ele, segundo consta, deixou palavras sobre Leandro não apenas como jogador de futebol, mas como ser humano e pai.
E, finalmente, ele cantou uma canção de louvor chamada "Espírito Santo."
Por favor, entregue a Deus os pensamentos que eu não consigo expressar bem em palavras.
Por favor, ajude-me na minha fraqueza.
Por favor, interceda por mim, que não sei orar—.
Era uma canção com esse conteúdo, e Kleiton refletiu enquanto lembrava da letra:
"Naquela época, era exatamente o que estava no meu coração."
E quando os apresentadores do programa ofereceram palavras à família, ele disse:
"Nós acreditamos em Deus. O resto é tempo. Acho que as feridas vão cicatrizar aos poucos. Mas não acho que a solidão ou as memórias vão embora."
Leandro Domingues jogou por muito tempo no Japão, inclusive pelo Kashiwa Reysol, e permaneceu na memória de muitos torcedores.
Na entrevista divulgada há cerca de um ano, o que Kleiton falou não foi apenas a imagem do jogador de futebol que vestia a camisa 10 e brilhava em campo.
Foi a imagem de Leandro Domingues como irmão, filho e pai de três filhos que enfrentou sua doença até o fim.
Mesmo durante seus dias de jogador no Japão, sua mãe, segundo consta, corria para o Japão sozinha para apoiar seu filho, apesar da barreira do idioma.
Para aqueles que viram o jogo de Leandro Domingues na J-League, esta entrevista permite conhecer outro aspecto de sua vida.
Gostaríamos de expressar nossas condolências mais uma vez a Leandro Domingues, que fascinou muitos torcedores no Japão.
Este artigo é traduzido e composto em português com base em uma entrevista com Kleiton Domingues divulgada há cerca de um ano no programa brasileiro "[Resenha do Leão 1899](https://www.youtube.com/watch?v=bZfKSGJTniE)".





